Já passava das 3h de quinta-feira. Os incontáveis goles de cerveja, as bicadas na pinga “da boa” e as aventuras em copos de caipirinha já alfinetavam a consciência de quem, como eu, tinha todo um dia de palestras pela frente.
Na volta pra casa, um brinde com Xico Sá, um aceno a um poeta, um “com licença” a um roteirista de cinema. Tudo dentro do normal, como manda o figurino na Flip.
Surpresa mesmo tivemos ao tomar a saideira. Após beber uma Devassa e aprender que existem três tipos (loira, ruiva e morena) da gelada, eis um espetáculo à parte:
Maitê Proença bailando ao som de um bolero, de olhos fechados, esperando que o seu par iniciasse o rasta-pé. Ela sorri, senta, levanta, senta, vai ao banheiro, volta, senta, levanta e caminha em direção ao balcão em que estávamos.
- Alguém tem um cigarro?
- Sim, sim. Pode ser Carlton?
- Carlton? Ahhhh, não acredito. Pode, pode. Posso pegar dois?
E a conversa se desenrola como se fossemos velhos amigos numa mesa de bar. Não mais do que por cinco minutos. O recorte de tempo mais bizarro por mim já presenciado.
O teor da conversa guardarei apenas na memória, pois registrar em foto o porre de Maitê já foi surreal demais. Como se artistas não bebessem, não dançassem sozinhos e não pudessem filar um cigarro…

